Eu não sou exatamente Vegetariano, pois respeito a solicitações do corpo… e assim como respeito os animais, me respeito também.

Parei de comer “Carne Vermelha” e consequentemente “Carne Branca” em meados de 2000, quando fui morar em Floríanópolis.

A cultura do Sul do Brasil é muito voltada ao carnivorismo (é cultural), lá se come carne de tudo quanto é tipo, e de tudo quanto é jeito…

Na época eu comia carne, mas não era fanático… comia, pois como a maioria das familias de “classe média” tinha esse elemento na mesa.

Quando me mudei para Florianópolis, os churrascos eram frequentes… em um deles no final eu me senti super pesado, e naquele dia passei muito mal… corpo pesado… sem vontade de comer mais nada… cólicas… enjôo… tive essas reações por 3 dias seguidos, e somente me “curei” após uma “dieta” intensa de “boldo” (erva medicinal que estimula os rins e forra o estomago).

Logo pensei: “Deve ser a carne que é de segunda” (aqui no Brasil, não sei no resto do mundo, existem diversas qualidades de carnes, inclusive carnes que necessitam ser amaciadas ou “disfarçadas”).

Depois desse dia, continuei minha vida, mas como estava morando sozinho (longe da minha familia), não comprava, nem fazia carne em casa.

Após uns 3 meses, subi para São Paulo para visitar a minha familia, e minha mãe fez um almoço daqueles… “Strogonoff”… só que dessa vez, a carne era “certificada”… de “1a”, nós sabiamos a procedência e a qualidade da carne, como sempre havia sido em toda minha vida…

Novamente passei muito mal…

Entendi então como o meu corpo se comunicando comigo… ele estava rejeitando aquele alimento, e eu não estava disposto a continuar sofrendo…

Como, longe da casa dos meus pais, eu não comia carne e não sentia falta de comer, parar de vez foi simplesmente uma tomada de decisão (a favor da minha saúde).

É claro que essa tomada de decisão não foi fácil perante a sociedade que me vê como uma “aberração”… mas não ligo mais para isso… sei nutrir as necessidades do meu corpo, com tudo que preciso para manter minha boa saúde e a mente sã.

Nesses 12 anos de auto-aprendizado de “parar de comer carne”, eu olhei muito para mim mesmo e aprendi muito com o meu corpo, aprendi a escuta-lo e principalmente respeita-lo.

Nesses 12 anos eu parei definitivamente todas as carnes vermelhas e aves, mas continuei comendo peixes e frutos do mar. Esse meu jeito de me respeitar, fez com que eu não fosse aceito inclusive pelos vegetarianos e vegans “fervorosos” que não compreendiam eu “comer peixe”, afinal, os peixes também são animais, possuem vida e são “carne”.

Parei de comer “peixe” há uns 3 anos, dessa vez por ideologia; Escutei uma materia na televisão de um estudo feito com a vida marinha, e o estudo mostrou que nos ultimos 200 anos, 1/3 da vida marinha se extinguiu; em grande parte, isso se deveu à poluição e à pesca predatória.

Parei de comer “peixe”, mas sei me respeitar… meu corpo “conversa” comigo, e sabendo ouvi-lo, sempre que sinto vontade, me permito comer “peixes e frutos do mar”, pois são alimentos que eu gosto.

Acho que minha diferença de visão é sutil, mas no meu processo, essencial.

Faz uns 2 anos escrevi um texto sobre a “Alimentação Consciente”; esse é um “texto” (geralmente é uma conversa), que gosto de passar para os carnivoros, quando sinto que há abertura para receber o ensinamento; ele ilustra claramente minha forma de ser, e meu auto-estudo alimentar mais recente.

“Alimentação Consciente”
(por: Bruno Ananda)

Percebi, que quando negamos, agredimos e impomos uma opnião, em 90% das vezes geramos o resultado inverso ao da conscientização; geramos repulsa.

Por isso, resolvi criar uma forma de comunicar e conscientizar os “carnivoros” sobre a sua alimentação, que notei (em muitas conversas) em muitos casos é totalmente automatica e inconsciente.

Ao invés de questionar impondo uma opinião, resolvi questioná-los para fazê-los pensar sobre oque comem envolvendo-os com uma forma lúdica e divertida de olharem para si mesmos.

Quando a oportunidade do assunto (alimentação consciente) surge, gosto de falar (perguntar) o seguinte:

“Você sabia que você é um Vegetariano?!?”

Essa pergunta, muitas vezes gera um sentimento de curiosidade e “espanto”, fazendo-os indagar “Como assim?!?”, aí complemento:

“Pois é, você é um Vegetariano, que come Carne… já reparou?!? Retire a carne, oque sobra?!? Se você refletir, 80% da sua base alimentar, é composta de Grãos, Castanhas, Folhas, Legumes, Frutas, Ovos e Derivados de Leite… ou seja, se você retirar a carne, você se torna um Ovo-Lacto-Vegetariano!”

Eu não sou Vegan, sou Ovo-Lacto-Vegetariano.

Esses simples dizeres, tenho notado que não são agressivos para quem escuta, e os fazem pensar sobre a sua alimentação… muitos reparam que nunca haviam pensado dessa forma, e a “ficha, simplesmente cai”; Outros, entram em um profundo processo de reconhecimento de quem são e do que consomem; E outros ainda, deixam de taxar o Vegetarianismo como algo inalcançável.

A idéia desse questionamento, não é impor uma filosofia alimentar, mas tornar a pessoa consciente para oque ela consome; Não há nada errado em comer carne, desde que você seja e esteja consciente do ato que realiza. Até agora, somente tive boas experiências com as pessoas que toquei com esse questionamento.

(esse texto também pode ser lido no meu blog:http://brunoradesca.tumblr.com/saude/alimentacao_consciente ).

Abraços de Luz

Bruno Ananda

 

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