Tentei ser vegetariana uma vez no ensino médio; a ideia de um ter um pedaço de músculo de um ser pensante no meu prato pareceu brutal e eu não quis mais comer. Funcionou só por uma semana, pois dependia totalmente da alimentação em casa e minha mãe foi contra, achava que carne era essencial.
Quando já morava fora na época da faculdade minha irmã se deparou com o site Vista-se e toda a indústria e exploração por trás de nossos pratos e me passou um monte de links e vídeos e propôs nos tornarmos veganas juntas.

No começo não foi nada fácil (faz três anos), dependia do restaurante universitário para comer, não tinha jeito, não sobrava grana para alimentação e eu acabava comendo mal sem a carne o que me fazia comer alguns dias, mesmo muito a contra-gosto (depois de ver como os bichos sofrem, se você come e sofre também). Tive pesadelos, ficava muito mal por causa disso. Não ter muita noção do que comer no lugar dos derivados como queijos me fazia acabar comprando e depois me culpando por ter comprado. Comer na casa dos outros também era um tanto difícil e um pouco constragedor. Nos churrascos da família do meu namorado na época eu era o et, e comia as verduras e uma eventual massa que faziam só para mim. Piadinhas sempre ouvi, sempre fui questionada. Fácil nunca foi, mas depois que você entra em contato com o que sabe ser errado, não faz mais sentido continuar fazendo, então nunca voltei atrás.

Sofri muito por ter entrado em contato com o horror que é o abate animal e o modo como são tratados e imediatamente ter tentado me livrar de tudo. Mas sei que foi importante para admitir que eu estava financiando estupros, encarceramentos, mutilações e assassinatos, como quem financia a bala que mata o inocente ao comprar droga com traficantes. O mundo aí fora não ajuda muito, mas hoje está mais fácil e cada dia tem mais produtos e lugares para comer e para se informar. Conhecer e ter contato com pessoas que adotaram também alivia o caminho. O Vista-se (vista-se.com.br) foi uma mão na roda, porque todo dia há algo novo a aprender, sempre tem uma receita pipocando pelas novidades e a gente não se desespera, e se compromete dia a dia.

No fim, queijo, leite, qualquer carne e até mel hoje me fazem mal. Meu organismo ajudou, mas sei que tinha “vício”. Sinto o corpo muito melhor hoje também e sei que o paladar muda. Antes, não me imaginava sem carne. Queijo então? Queijo e iogurte era vida, mas hoje sei que na realidade é morte, tanto para mim quanto para quem é explorado para que haja um queijo e um leite. Minha rinite alérgica melhorou muito depois de cessar o consumo de leite e derivados também. Emagreci, mas pouco, mas o melhor foi poder brincar com um cachorro de alguém com um alívio enorme, de saber que minha relação com tudo estava mais honesta. O maior bem de quem consegue reconhecer os animais como seres dignos de respeito incondicional é uma enorme paz de espírito. Sendo perfeitamente possível viver sem carne, leite, ovos, etc., sendo contrária a qualquer tipo de exploração, isentar-me destes costumes horríveis e ser vegana foi a decisão mais acertada que já tomei na vida.

Um Comentário

  1. Ola, adicione-me no face sim, estou bloqueado lá no momento para chat privado. abraço. luis salvi

Responda a luis salvi Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *